COMO FAZER ESCOLHAS CERTAS?

Escrito por: Paula Roosch

Pode até parecer que suas escolhas são limitadas ou até que você tem pouco poder sobre o que acontece na sua vida. Mas se você está lendo esse texto, quero te lembrar: viver é fazer escolhas entre infinitas possibilidades. Você, por exemplo, pode parar a leitura por aqui agora ou continuar a fazer essa reflexão nos próximos minutos. A escolha é só sua – e essa é um pequeno exemplo das coisas que você escolhe a cada momento e que podem ter um impacto maior do que você imagina, no que você faz e em que você é.


É fascinante perceber as inúmeras possibilidades que temos a cada momento. Mesmo diante de limitações e desafios, ainda assim temos muitas opções de escolha. Escolher pensar de um jeito novo. Escolher melhorar habilidades. Escolher agir ou não agir. Escolher voltar atrás.

Esse processo de construção da vida também pode ser assustador. E se escolhermos errado? E se tomarmos decisões que nos levarão para caminhos que não desejávamos? E se aquela possibilidade for melhor? E se ? – a gente sente tanto medo e ansiedade só de pensar em frases que começam com essas duas palavrinhas…

Pois é, viver não é fácil. A vida vem sem o manual de instruções – e muitas das instruções que pegamos no caminho nos levam a escolhas que nos arrependemos mais tarde… Sofremos com muitas das decisões que tomamos ou que sentimos que os outros tomam por nós. Só que, a partir desse sofrimento, passamos a fazer escolhas diferentes. Sempre existe um aprendizado em cada escolha. E esse é o primeiro lembrete que quero te fazer.

  1. Toda escolha traz o aprendizado que precisamos

Sabe aquele conselho clichê: “Tudo tem um motivo para acontecer, lá na frente você entenderá”? É difícil lembrarmos e até acreditarmos nisso, especialmente quando estamos sofrendo. Como uma criança magoada, nos perguntamos: “Por que temos que sofrer?”, “Será que não poderia haver um jeito mais fácil de aprender?”, “Por que temos que passar por isso?”… mas depois que a situação passa e as emoções acalmam, a gente consegue enxergar o aprendizado por trás daquilo.

As escolhas que nos afetam, feitas ou não por nós, trazem exatamente a lição que precisamos aprender para dar o próximo passo e construirmos mais um pedacinho da nossa história. Por isso, confiar no processo de aprendizagem a partir de cada escolha não significa se acomodar com uma possibilidade mais fácil e menos assustadora. Significa se permitir errar, deixar fluir e aprender com as possibilidades que a vida nos dá agora, ao invés das expectativas ou frustrações que a nossa mente escolhe criar.

Lembre-se: às vezes a melhor escolha a ser feita é respirar profundamente, para acalmar o coração e se entregar ao momento.

  1. Fique consciente dos seus pensamentos e dos gatilhos

A forma como percebemos a realidade é única. Processamos informações com uma velocidade impressionante e nosso cérebro tem feito o possível para se adaptar à absurda quantidade de informações que o bombardeia.

Nesse fluxo de milhares de pensamentos e sensações, decidimos como agir. Como fazer, o que fazer, por que fazer. Transformar as informações processadas em ações requer decisões e escolhas constantes. O curioso é que toda decisão é movida por um gatilho. O que te faz rir? Dirigir ao trabalho? Acordar de manhã? Se alimentar? Descansar? Será que um horário, uma emoção, uma pessoa, um senso de responsabilidade..?

Incrivelmente, por mais que a decisão tomada seja feita de forma automática, ela sempre pode se tornar consciente. O poder de escolha é nosso – mesmo que eu escolha fazer da mesma forma que antes. Identificar os gatilhos pode nos ajudar.

Ao identificarmos os gatilhos que disparam as nossas ações, podemos mudá-los ou tentar reagir diferente. Compulsões e hábitos não saudáveis podem ser mudados se entendermos o mecanismo que disparou a nossa ação e que transformou uma ideia em algo concreto.

  1. Lembre-se da fórmula: atenção + intenção

A escolha está realmente difícil? O que você pretende atingir? Qual sua verdadeira intenção por trás da sua decisão? Você está presente?

Procurar os motivos pelo o que fazemos o que decidimos fazer nos motiva e direciona as nossas ações, além de nos lembrar de ficarmos presentes. Quando definimos claramente a nossa intenção, permitimos que os gatilhos certos sejam acionados a partir de uma ideia. Lembre-se da frase do gato no clássico Alice no País das Maravilhas: “quando você não sabe pra onde ir, qualquer caminho serve”.

Realizar algo com o máximo de atenção, mas sem intenção focada, minimiza significativamente o efeito da ação. De igual maneira, a intenção mais bonita tem efeito reduzido se o realizador não emprega a atenção necessária no que faz.
Está na dúvida se faz ou não algo? Investigue a intenção da sua ação e evite distrações ao realizá-la!

É fácil nos distrairmos com pensamentos confusos, já que temos tantas opções em nossa rotina: desde decisões mais sérias, como a escolha de carreira, até opções rotineiras, como decidir fazer exercícios ao invés de descansar. Para relembrarmos o que nos motiva a fazer algo, voltamos para a voz do nosso coração. O que ela nos diz sobre os nossos objetivos e sobre qual resultado pretendemos atingir? Sempre que você tiver dúvidas sobre o que escolher, basta refletir sobre a intenção sincera que está te direcionando.

  1. Tudo é uma questão de perspectiva

Imagine cada momento da sua vida como uma peça de um quebra-cabeça. Se você visualizar uma peça sem espiar a imagem da caixa, você não vai entender o significado daquela pequena imagem. Mas se você tiver paciência e sabedoria para juntar as peças que você já tem e mudar a perspectiva do pensamento, aos poucos surge uma imagem linda que aquela única peça também ajudou a formar.

Toda peça é importante. Fica mais fácil decidir o que fazer quando nos enxergamos como parte de um grande quebra-cabeça. Se você fizer algo pensando no coletivo, você estará contribuindo para encaixar mais amor no mundo. E essa ação inspira outras atitudes benéficas, gerando mais amor. As peças se encontram e formam um todo coeso e com sentido, ao invés de permanecerem separadas e misturadas, sem propósito.

Se esse texto tivesse uma moral da história, qual seria?

As possibilidades que temos são fascinantes e também assustadoras. Podemos tomar nossas decisões baseando no medo que sentimos ou nas preocupações que nossa cabeça alimenta. A proposta é que você faça um exercício de entrega ao incerto, ao presente que se funde ao futuro emergente. Não sabemos o que somos capazes de construir. Mas para que o caminho faça sentido, podemos decidir nos entregar, com toda a nossa verdade e de todo coração. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

A beleza da vida está na qualidade da nossa entrega. Quem sabe se enchermos o caminho de luz, nossos pés sigam mais confiantes nas nossas escolhas?

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