QUANTO VALE SEU TEMPO?

Escrito por: Paula Roosch

Imagine que você soubesse agora quanto tempo de vida te resta. Um mês, um ano, uma década, 70 anos… o que você faria com essa informação? Você mudaria o seu jeito de viver? Faria algo diferente? Será que o medo te paralisaria ou você teria mais coragem de viver seus sonhos e revelar seus desejos mais profundos?


Poderíamos ter uma calculadora com o saldo das nossas horas de vida, mas a verdade é que não fazemos a mínima ideia de quanto tempo temos. Ainda que um médico nos dê uma expectativa de vida, não há garantia de acerto. Esse assunto talvez soe um pouco mórbido para você, mas a morte é uma certeza que temos – ainda que o seu significado e fim tenha diferentes interpretações. Sendo assim, concorda que o tempo é um recurso extremamente valioso? Sabemos disso, mas esquecemos quando estamos no meio de uma discussão sobre quem vai lavar a louça, quando ficamos meses ou até anos preocupados com algo que talveeeez aconteça ou quando passamos horas conferindo as redes sociais.

Conscientemente queremos fazer escolhas melhores, certo? Então considere esse texto como um lembrete óbvio de que seu tempo é valioso. Estamos tão acostumados a calcular o valor do dinheiro e das nossas horas de trabalho que refletimos pouco sobre o valor do nosso tempo além do ponto de vista monetário. A ideia aqui é te ajudar a ter uma perspectiva mais palpável do valor da sua vida.

Em uma linha do tempo, vamos pensar quantos anos ainda temos, levando em conta a expectativa média de vida de um brasileiro. Em 2019, segundo o IBGE, essa expectativa foi de cerca de 76 anos – mas como ela aumenta a cada ano, vamos arredondá-la para 80 anos. Imagine cada ano como uma vida de vídeo game:

80 anos representados em 80 vidas de video game.

De repente 80 anos não parecem tanta coisa assim, né? Tá bom, então vamos representar isso em meses: (desculpe se você tem TOC, mas fiz o melhor que pude para alinhar as vidas….)

80 anos representados em meses.

Se você tem 30 anos, essa seria a quantidade de vidas que você já usou:

30 anos passados em uma expectativa de vida de 80 anos

Adapte esse esquema para sua idade real e analise como você tem vivido seus meses, suas semanas, seus dias, horas, minutos, segundos… você consegue ficar presente e desfrutar desse tempo ou passa tempo demais se preocupando com o futuro ou remoendo o passado?

Imagine que você gasta 2 horas do seu dia com planos e preocupações com o futuro e 3 horas consultando as lembranças da sua memória (eu tentei ser otimista aqui, okay?). Seguindo essa lógica, se você viver por mais 50 anos, 10 deles você passaria não estando totalmente presente. E considerando a média diária de uso da Internet pelos brasileiros, nos próximos 30 anos você provavelmente passará mais de 1/3 do tempo (ou 11 anos e 3 meses) conectado a um computador ou celular! Parece tempo demais para conexões virtuais e tempo de menos para conexões reais (ou até para descansar melhor), não?

Enquanto algumas perspectivas dão a impressão do excesso de tempo que temos e que muitas vezes desperdiçamos, outras nos lembram de valorizar acontecimentos que não serão tão abundantes quanto parecem. Quer ver? Hoje eu tenho 32 anos. Se eu viver até os meus 80, esse será o total de primaveras que ainda terei:

E esse será o total de copas do mundo que provavelmente assistirei: (espero não assistir mais nada parecido com 7×1…)

Supondo que eu vá à praia 5 vezes ao ano, eu teria mais 240 idas ao mar (a não ser que meu plano de morar na praia dê certo! 😊). Aplique isso para qualquer evento, hábito ou hobbie da sua vida, para ter mais noção do valor do seu tempo.

Sabe o que assusta? Quando a gente pensa no tempo que vamos passar com nossas pessoas queridas. Ainda na hipótese de eu viver até os 80 anos, terei aproximadamente 17.520 dias de vida – com quem irei passar cada um desses dias? Já se fez essa pergunta?

Considere uma pessoa com quem você morou junto boa parte da sua vida e que, nesse momento, vocês moram distantes um do outro – como um irmão, seus pais ou até avós. Quantas vezes por ano vocês ainda se veem? Se vocês tiverem mais 30 anos de vida para conviverem, estamos falando de quantas possibilidades de encontros?

Vou simular esse cenário proporcionalmente, estimando a convivência que tive e que terei com meu pai: morei com ele boa parte da minha vida, vendo-o todos os dias. Agora, ele mora em outra cidade e nos encontramos apenas algumas vezes no ano. Calculando o número de encontros que ainda podemos ter em relação ao tempo que estivemos juntos, assustei quando me dei conta que teremos apenas 5% em relação a todo o tempo que já convivemos! Isso me faz querer valorizar e ficar muito mais presente nas visitas – ou, quem sabe, aumentar a comunicação de outras formas.

Quando penso no meu avô, que em breve fará 90 anos (já superando a expectativa brasileira!), faço os cálculos de quanto tempo ainda passarei ao lado dele. Considerando que eu o visito 15 vezes ao ano, nos próximos 5 anos, há a possibilidade de 75 encontros.

O que você faria se soubesse que estava vendo alguém pela última vez? Seria diferente se você soubesse que aquele era seu último beijo, seu último abraço, a última risada juntos?

Resumindo: algumas vezes a vida parece curta, outras longa demais. Depende da nossa perspectiva, dos momentos que vivemos e até do nosso estado de humor. Pensa só: quanto tempo parece ter aquele minuto final do exercício físico, quando você já está no seu limite de exaustão, ou da prorrogação daquele jogo em que seu time está apenas 1 ponto na frente? Quanto parecem durar aqueles 10 minutos anteriores à entrega de um relatório que você não conseguiu terminar ou anteriores àquele encontro que você está super atrasado? Qual a percepção do tempo do primeiro encontro com alguém que você se apaixonou, daquela tarde inesquecível e feliz com a família ou do dia do nascimento de um filho?

Podemos aprender tanto a cada momento, desfrutando da jornada com outras pessoas e vivendo os amores que nos acontecem… ou podemos usar esse tempo reclamando, com medo, sofrendo com nossos próprios pensamentos e – pior – causando sofrimentos aos outros.

O importante é que nunca é tarde para novos planos, novas perspectivas de vida e novos recomeços… não espere resoluções de ano novo, metas pós quarentena e nem mesmo da segunda-feira. Que tal começar agora? 🙂

Este post tem 2 comentários

  1. Mariana Fischer

    Que texto maravilhoso e muito importante! Principalmente com tudo o que estamos vivendo!

    1. paula

      Que feliz que gostou!! 🙂 Que a gente sempre se lembre da preciosidade que é a vida!

Deixe uma resposta