A FALTA DE AMOR PRÓPRIO REFLETE NA FALTA DE LIMITES NOS RELACIONAMENTOS

Escrito por: Paula Roosch

É um ciclo: fico com medo de dizer “NÃO” ou medo de defender minha opinião, porque fico insegura com o que as outras pessoas podem pensar de mim, ou até delas não me aceitarem. Para evitar brigas e o sentimento de culpa por alguém amado se chatear, eu ignoro minhas vontades e até meus valores, porque “é mais importante ter paz, do que ter razão”. Você se identificou com esse discurso ou conhece alguém que age assim? Toda essa insegurança e dificuldade em estabelecer limites em algumas (ou muitas) relações pode indicar uma falta de amor próprio. Mas calma: nunca é tarde para resgatar sua relação consigo mesm@!


Você sabe o que realmente significa ter amor próprio? Antes da definição, quero te falar sobre o que amor próprio NÃO é: não é vaidade e nem autopiedade. Isso está longe de ser amor verdadeiro por si mesmo.

Alguém que parece muito seguro de si, e que gosta de falar sobre suas qualidades e conquistas, pode até parecer que tem a autoestima elevada e que está cheio de amor por si. Mas não é bem assim… a validação pela aprovação de outras pessoas reflete uma insegurança disfarçada. O amor próprio é silencioso, é seguro. Ele não se identifica com o ego, porque reconhece que suas raízes estão muito além dele.

Da mesma forma, alguém que se vitimiza muito e se recompensa de várias formas “porque merece”, também não expressa amor por si. O vitimismo e a autopiedade significam a entrega do controle da situação a algo ou alguém e a falta de disciplina constante pode refletir em um boicote aos próprios objetivos a médio e longo prazo. O amor próprio estabelece limites e objetivos, porque a pessoa que se quer bem sabe que a disciplina é fundamental para alcançar as suas metas.

Por isso, não dá pra fugir: uma das premissas do amor próprio é o autoconhecimento. Amar-se é reconhecer qualidades e defeitos, sendo vulnerável para compreender os próprios limites e superações. Quer ver só? Pense em alguém que se apaixonou rapidamente por você, em alguns dias ou semanas (ou horas, quem sabe…). No começo de uma relação, a gente mostra nossas melhores características e costuma caprichar no marketing pessoal… a pessoa que lute para descobrir e lidar com nossos defeitos, certo? Bom, você consegue comparar essa relação cheia de paixão, mas ainda superficial, com o amor de uma mãe que te conhece uma vida toda e que te ama apesar de tooodas as pisadas de bola e surtos que você já deu? – caso essa não seja uma boa referência para você, pense em alguém que te conhece há muito tempo e que te ama, tá? 🙂

Quanto mais eu me conheço e consigo enxergar que sou resultado da minha história, honrando tudo o que passei, mais eu me aceito. E quanto mais eu aceito como sou, mais eu crio espaço para evoluir (um curioso paradoxo…).


Tudo começa na relação consigo mesmo!

Uma vez que você identifica os seus limites, você precisa respeitá-los: se você estiver morrendo de fome, que tal não adiar a hora do almoço, apesar dos seus compromissos? O que acha de ir dormir num horário que permita você repor as energias de forma aceitável? Que tal não fuçar no Instagram do seu ex se você sabe que isso vai te deixar mal?

Não exija mais de você do que você sabe que consegue suportar. Respeite seus próprios limites. Se você não respeitar, não faz sentido pedir para o outro respeitar também, né? (foi com carinho, juro! 😇)


Quiz rápido sobre a entrega dos seus limites!

Vai por mim: a relação consigo mesmo reflete em todas as suas outras relações. Vamos descobrir como você está estabelecendo seus limites? Pense em uma relação importante para você, seja amorosa, com um amigo, familiar ou profissional. Responda as seguintes perguntas:

  1. Você se sente mais fortalecid@ ou mais sugad@ nessa relação? Esse é um bom termômetro se você respeita ou não seus limites. Especialmente em uma relação de casal, se você não recebe muitos elogios, se as críticas não são construtivas, se não constroem sonhos juntos que fazem sentido para os dois, será que essa relação faz sentido?
  2. Como você se sente nessa relação na maior parte do tempo? Outro termômetro é perceber como estão suas emoções. Você se sente muito culpad@, especialmente depois de conflitos? Fica com medo de perder essa relação com frequência? Fica triste, lembrando-se mais dos seus defeitos do que das qualidades? Se sente insegur@ com frequência? Isso tudo pode significar que seus limites estão sendo ultrapassados…
  3. Essa relação tira ou melhora sua auto estima? E você, aumenta ou diminui a auto estima do outro? Não é sobre elogios forçados, mas sobre reconhecer características que trazem admiração e não menosprezar o outro para se sentir mais valorizado.
  4. Por fim, você deixa o outro ter controle sobre os limites? Qual poder que você deixa ele ou ela ter sobre você? Quem tem dificuldade de impor limites, tem mais chances de entrar em relações tóxicas e até abusivas. Alguns limites podem ser quebrados sutilmente no começo, até que a falta de respeito reflita em abuso moral, sexual e/ou físico. E fica aqui mais um lembrete:
um lembrete válido que postamos no Escola Mídiamor.

5 dicas para fortalecer seus limites em relações (amorosas ou não):

Separamos 5 dicas para fortalecer seu amor próprio, para você conseguir estabelecer os limites de forma clara e saudável.

1. Faça o seu melhor até quando estiver sozinho

As coisas que você faz pelos outros e por você quando ninguém está vendo e opinando (inclusive nas redes sociais) alimenta a sua autoestima e o seu amor próprio. Quando você está alinhado aos seus valores, você ganha mais confiança nas suas atitudes e, principalmente, paz interna.

2. Dedique tempo para o autoconhecimento e para se dedicar aos seus hobbies

Tem coisas que você (e só você) pode fazer para buscar a sua própria evolução: ler livros, ouvir podcasts, fazer cursos, trabalhar por objetivos próprios, colocar em práticas paixões antigas, conectar-se à uma comunidade que compartilhe de um mesmo interesse que você… todas essas coisas não dependem de uma relação. E se, por acaso, seu/sua parceir@ te boicotar, isso pode indicar que a relação está sendo tóxica. Mesmo assim, antes de tomar decisões drásticas, tente estabelecer os seus limites e converse sobre as coisas que são importantes para você, além dessa pessoa. Aí sim, se o problema persistir, reflita sobre o sentido dessa relação.

3. Dialogue sempre!

Ter espaço para conversas onde os dois lados comunicam sobre limites e sonhos, é fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis e que fazem os dois evoluírem. Lembre-se: estabelecer limites não é impô-los. É conversar sobre o que é importante pra você e ter empatia de saber o limite do outro. Se não tem espaço pra diálogo e evolução, você realmente quer estar nesse barco?

4. Estabeleça relações com base no amor e não na dependência emocional.

Você ama a pessoa dessa relação ou ama ter alguém do seu lado, para compartilhar suas coisas? Ama o status dessa relação ou a pessoa por completo? E o que você ama nessa pessoa? Não precisa idealizar relacionamentos e nem a pessoa com quem você se relaciona, mas não se nivele por baixo. Lembre-se: ser legal, ter bom coração e caráter é (ou deveria ser) básico. Preencher uma pessoa com uma carência, pode prejudicar sua autoestima e o controle dos seus limites.

5. Não coloque no outro a expectativa dos seus sonhos serem realizados

Essa última dica é fundamental para você alimentar a sua alma e não sufocar relações: faça sonhos além de uma relação. Não tem nada de errado em construir sonhos com alguém, mas o grande sonho da sua vida e seu grande propósito pode ir além disso. Imprevistos acontecem e nem tudo está sob nosso controle: o fim de uma relação, pelo motivo que for, não precisa e não pode significar o fim da sua vida.

Para você não dizer que fui muito dura nesse post (acredite que escrevi o texto gravando esses lembretes aqui dentro de mim), vou deixar umas artes maravilhosas para você se inspirar, diretamente do Escola Mídiamor. Encha-se de amor e transborde por aí 🙂

Este post tem um comentário

  1. Ianca

    Artigo incrível! Parabéns!!! 💘

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